O serviço de emergência na telefonia móvel é de fundamental importância, pois assegura que qualquer pessoa possa solicitar ajuda imediata em situações críticas, independentemente de sua localização ou das condições da rede. Além disso, a legislação determina que as operadoras ofereçam acesso gratuito e irrestrito a esses serviços.
Considerando a relevância do tema, preparei este material com o objetivo de apresentar o funcionamento do serviço de emergência com ênfase no VoLTE, sem deixar de abordar também os aspectos relacionados às tecnologias 2G e 3G.
Abaixo os itens que serão apresentados:
- Serviço de emergência no 2G/3G
- Serviço de emergência no 4G com CS-Fallback
- Serviço de emergência no VoLTE/4G
Conteúdo
Considerações sobre chamadas de emergência
- As chamadas de emergência devem ter prioridade em relação às chamadas comuns na rede.
- É possível realizar chamadas de emergência mesmo a partir de terminais sem SIM card ou sem autenticação na rede, conforme a configuração adotada pela operadora.
- A rede deve disponibilizar a localização mais precisa possível do originador da chamada para as autoridades responsáveis.
- O sistema deve encaminhar o chamador ao atendimento de emergência mais próximo do local de origem da chamada.
- As chamadas de emergência devem ser gratuitas, sem qualquer tipo de cobrança ao usuário.
Tipo de chamadas de emergência
A oferta do serviço de emergência pode ser realizada por terminais capazes ou não de identificar chamadas de emergência.
Identificadas pelo terminal como chamadas de emergência
O terminal identifica que o número chamado está configurado/armazenado como número de emergência.
Essa chamada identificada como chamada de emergência será tratada com prioridade caso haja congestionamento na rede
Não identificadas pelo terminal como chamadas de emergência
Alguns números de emergência locais não são configurados/armazenados no terminal como chamadas de emergência e, portanto, o terminal não “marca” como chamada emergência.
Essa chamada não identificada como chamada de emergência não terá prioridade caso haja congestionamento na rede
Serviço de emergência no 2G/3G
Uma chamada ao chegar na MSS com a marcação de chamada de emergência é imediatamente encaminhada para o PSAP (Número da autoridade) de acordo com a categoria ou número recebido do terminal, podendo ser número de polícia, bombeiro, entre outros.

Serviço de emergência no 4G/VoLTE
Temos duas opções de chamada de emergência no 4G/VoLTE:
1 – Via CS-Fallback: Essa é opção é quando a operadora não é capaz de admistrar a chamada de emergência diretamente via rede IMS.
Nesse cenário o P-CSCF enviará um SIP erro 380 Alternative Service e o terminal fará CS-Fallback onde a chamada seguirá via rede 3G.

2 – Via 4G/VoLTE: Essa chamada vai diretamente via rede IMS/VoLTE e é foco principal desse material, porém esse item 2 pode ser divido em mais duas opções:
2.1 Chamada Emergência VoLTE – UE com “flag” Emergency (UE detectable)
Nesse caso será feito um registro independente para o serviço de emergência no P-CSCF Local
Esse registro é similar ao registro normal na rede IMS acrescido do parâmetro SOS é inserido no SIP URI do header Contact indicando que se trata de um registro de chamada de emergência.
Importante:
- O UE iniciará um registo de emergência IMS quando todas as seguintes condições forem atendidas:
- O UE ainda não está registrado no IMS ou o UE está registrado no IMS, mas está em roaming fora de sua rede doméstica.
- O UE tiver credenciais suficientes para se autenticar na rede IMS.
- O UE estar habilitado para detectar uma sessão de emergência
2.2 Chamada Emergência VoLTE – UE sem “flag” Emergency (Non UE detectable)
Esse cenário ocorre quando o número de emergência é desconhecido pelo terminal. O terminal não marca a chamada com “flag” de emergência e sim como uma chamada comum.
Nesse caso a chamada não terá prioridade em caso de congestionamento na rede.
Topologia Serviço de emergência no 4G/VoLTE

Principais elementos do serviço de emergência
E-CSCF – É responsável pelo controle das chamadas de emergência. Ao receber a chamada de emergência o E-CSCF consulta o LRF para tradução para o número “real” do PSAP
EATF – Fornece procedimentos para ancoragem de sessão de emergência IMS caso ocorra SRVCC durante a chamada. É função da rede local IMS, ou seja, quando o assinante está em roaming será função da rede visitada.
LRF – Sua função é traduzir o número de emergência discado pelo número real da PSAP.
BGCF – É responsável pelo roteamento correto do breakout da chamada para a MGCF e consequentemente a rede 3G.
E-CSCF – É responsável pelo controle da chamadas de emergência. Ao receber a chamada de emergência o E-CSCF consulta o LRF para tradução para o número “real” do PSAP
EATF – Fornece procedimentos para ancoragem de sessão de emergência IMS caso ocorra SRVCC durante a chamada. É função da rede local IMS, ou seja, quando o assinante está em roaming será função da rede visitada.
LRF – Sua função é traduzir o número de emergência discado pelo número real da PSAP.
BGCF – É responsável pelo roteamento correto do breakout da chamada para a MGCF e consequentemente a rede 3G.
Fluxo de registro/chamada de emergência

eCALL x NG-eCALL
O eCall é uma iniciativa que visa levar assistência rápida aos envolvidos em acidente causados por colisão.
Essa solução utiliza um modem instalado no veículo e é base em redes GSM e UMTS
A sua evolução é a NG-eCall (Next Generation eCall) que é totalmente baseada em redes 4G/5G e IMS.
eCALL

1 – O IVS é acionado automaticamente pelos sensores instalados no veículo ou através de botam de emergência no carro.
2 – O IVS faz chamada para o serviço de emergência
3 – O PSAP e o IVS usam o modem inband para transferir as MSD através do caminho de voz
4 – Enquanto os MSD são transferidos o serviço de voz fica interrompido. Esse tempo pode variar entre 4 e 10 segundos.
5 – Depois do envio das MSD são acionados Microfone e Autofalante para estabelecimento do áudio entre veículo e PSAP
NG-eCALL

1 – O IVS é acionado automaticamente pelos sensores instalados no veículo ou através de botão de emergência no carro.
2 – O IVS faz chamada para o serviço de emergência via SIP/IMS onde a sinalização e voz são encaminhados em paralelo
3 – Os dados MSD são transferidos via SIP Invite Message para o PSAP através do caminho de sinalização
4 – A chamada de voz não é interrompida pela transferência dos MSD e, portanto, é estabelecida no momento do acionamento feito pelo IVS
Referência:
ETSI TS 124 229 V16.6.0 (2020-07)
https://eena.org/ – European Emergency Number Association
GSMA – Official Document NG.119 – Emergency Communication
